Eram quatro e meia. Quando abri os olhos meio ensurdecida com a frequência turbulenta do despertador me deparei com um bilhete sobre a escrivaninha e nele estava escrito: "Bom dia meu amor, siga as instruções nos próximos cartões enumerados ao seu redor e me encontre onde o último indicar." Fechei os olhos e fiquei alguns segundos sentindo a brisa vir de encontro ao meu rosto, sorri ao lembrar da noite passada e respirei fundo enquanto me mexia sobre os lençóis levemente desajeitados, mesmo assim eu estava coberta e ao meu redor haviam inúmeros pequenos cartões de cores diferentes e fiquei imaginando onde ele havia conseguido tantos cartões esta manhã. Sentei-me e apoiei as costas em alguns travesseiros. Eu parecia uma criança travessa que acabara de ganhar um esperado brinquedo que antes habitava uma vitrine colorida. Peguei o envelope número 2 e nele havia: "Lembra como as estrelas no céu brilhavam com menos intensidade quando a sua estava lá no alto?" Sorri novamente lembrando dos nossos momentos enquanto conversávamos e olhávamos o céu, meio concentrados em nossos sonhos e enquanto isso, busquei o envelope 3: "Não sorria lembrando o nome da estrela, mas era quase necessário falar sobre ela." Sorri mais prazerosamente e deixei os lábios em uma linha quando percebi que não o havia obedecido. Envelope 4: "Hoje, quando acordei, passei alguns infinitos minutos observando seus lábios, com cede de tocá-los novamente." Eu também sentia vontade de tocar os dele agora, respirei fundo e prendi minhas vontades no fundo dos meus pensamentos, pra que eu não pulasse nenhuma etapa. Envelope 5: "Então pensei que a partir de hoje, terei outros tantos dias ao seu lado e resolvi te impressionar." Fiquei imaginando seu rosto junto ao meu, tão próximo que pudesse tocar com a ponta dos dedos e dizer baixinho que não precisaria de nada no mundo a não ser dele. Envelope 6: "Levanta, amor. Preciso dizer como te amo." E eu dizer que a minha vida sem ele já não era nada. Envelope 7: "Caminhe pelo corredor e desça as escadas, hoje o dia está lindo aqui fora. O sol ainda não nasceu e há nuvens em algodão por toda parte." Levantei meio preguiçosa, calcei pantufas e passei a mão pelo cabelo meio bagunçado, sorri e antes de caminhar peguei o envelope 8 embaixo do jarro com orquídeas. Envelope 8: "Preciso de você pra que meus dias tenham sempre essa alegria contagiante, essa vontade de dizer que não falta mais um dia." Um dia, um dia. Estas duas palavras passaram meses perambulando sobre minhas vontades escondidas, armazenadas; e ontem havia sido a prova de que poderia passar a minha vida ao seu lado. Desci as escadas e encontrei a varanda aberta, segui as pétalas de rosas na areia da praia e avistei uma mesa com guarda-sol e sobre ela, um café da manhã. Olhei para os lados a procura dele e fiquei intrigada. De repente senti suas mãos me envolverem a cintura e seus lábios se encostarem sobre meu ombro, me aninhei em seu abraço e desejei que se fosse realmente um sonho, preferiria não acordar. Procurei um ponto fixo para me concentrar no horizonte, e com isso esquecer qualquer outro momento que pudesse se manifestar em minha memória. Fiquei sentindo o calor do sol abraçada a ele como nunca havia feito com ninguém, virei o rosto na direção do dele e esperei que meus lábios falassem por mim o que nunca conseguiria descrever, foi quando ele me beijou e deixei que todos os meus desejos pudessem ser saciados ali, como na noite passada.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
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