Dormi e acordei contigo nos últimos dias. É trágico como a sua presença me falta o ar e a ausência me perturba a alma. A noite parece estar mais fria, o ar está mais pesado do que nos últimos cinco dias. Da varanda observo atentamente o pôr-do-sol acompanhado de café quente. Café lembra-me calor. Não quis me vestir pela manhã e fiquei o dia inteiro da mesma forma como acordei, meio desarrumada com aquele moleton surrado e macio acompanhado de uma blusa qualquer. Ouço a nossa canção tocar no fundo e parece a melodia perfeita para o momento. Fechei os olhos por dois segundos e consegui te ter aqui sentado entrepernas a contemplar comigo a paisagem. Teus dedos passeavam calmos sobre minha pele e sabiam, sabiam onde tocar. Então abri os olhos e fugi da rotineira sensação de sintomas dos últimos dois dias acompanhados da frenética abstinência e contradições com determinadas perguntas que ainda oscilam me confundir, tão atrevidas. Os raios de sol em tom amarelo-alaranjado já não me incomodavam mais, o grande pedaço de terra já havia sucumbido boa parte. A noite chegara. E agora podia ouvir sua voz no fundo dos meus pensamentos, tão suave a me manter profundamente absorta. Esta era a forma prazerosa como consegui permanecer contigo aqui dentro enquanto estais longe. Longe é uma palavra dolorosa e mal sei como posso sentir, mas ficarei com você em subconsciente e assim banir qualquer pensamento inseguro de dentro de mim.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
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