The truth. Entre essas paredes e fragmentos de pintura pelo chão estávamos eu e você naquele dia em que imaginamos entre os lençóis, fazendo pequenos planos para o futuro. Imaginávamos estar naquele cubículo com aquela vista meio embaçada entre os grandes arranha-céus, mas era nosso. Estávamos também começando a nossa vida a dois. Era tão esperançoso. A grande caixa com o vestido de noiva e as outras com presentes e dedicatórias após a festa estavam lá. Havíamos colocado um ponto final na vida e iniciado uma nova história, tudo muito peculiar. Não esquecendo o passado, apenas começando de novo. Do zero. Minha mãe nos ligava todos os dias nos perguntando sobre os netos e nós mal pensávamos no assunto, ou até comentávamos, mas não queríamos agora. Você dizia que ele teria meus olhos e nossa pele branca, quase transparente. E eu desejava que ele tivesse teu sorriso, os lábios naquele tom de rosa. Discutíamos todas as noites, fazíamos as pazes todas as madrugadas. Agíamos como na primeira noite, nos tocávamos e beijávamos como na primeira vez. Era mágico. Tirávamos o sábado a noite para fazer espaguete, assistir filme e em um desses decidimos ativar as memórias. Sorrimos, choramos. Nostalgia complacente. Após todos esses anos, nada havia mudado. Éramos eu e você, como sempre havia sido. O tempo nos ofertou novas chances, soubemos aproveitá-las. E sorrimos.
sábado, 20 de agosto de 2011
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