Holding out for a hero, Ella Mae Bowen. CAPÍTULO 1: De um livro qualquer.
Eu o conheci e foi épico em cada essência sublime. Estar próximo lembrava-me quando eu fechava os olhos enquanto era criança e via todas aquelas ramificações brilhantes e que me embebedavam de curiosidade... Então, quando eu sentiria? Digo, não só ver aqueles diamantes lá, mas como seria estar próximo o suficiente para sentir a sensação desconhecida? Ou melhor, será que existe uma sensação? Não sei, pouco me impulsiono para desvendar, mas era mágico ver todas aquelas luzes.
Imóvel sobre a cama, ergui os braços e fiquei apontando todas as que eu podia ainda de olhos fechados. Nomeei-as de "estrelas", ou melhor, ele nomeara. Ficávamos meio embriagados, eu com uma ou duas taças de vinho, ele com algumas milhares de cervejas quando o uísque o faltara, mas éramos felizes. Vê-lo sorrir distraia-me o senso e passávamos a madrugada inteira entre sorrisos. "Vamos dormir?" ele dizia. E eu surpresa, pega de supetão pela primeira vez, o indaguei: "Dormir juntos?" E ele apenas me dissera que gostaria de minha companhia algumas vezes, talvez muitas... Não planejava quão rápidas seriam as madrugadas, mas se eu estivesse ao lado, valeria a pena ficar acordada até o sono carregar-me ao fim.
Todas as tardes e noites ao seu lado pareciam tão confusas e maravilhosas que palavras não teriam o entusiasmo necessário para expressar as sobrecargas de meu coração. Chegávamos ao ápice e ao chão em segundos, ou talvez nos milésimos deles. Era engraçado. Meus sorrisos eram sinceros, justos e ao mesmo tempo tão cheios de medo... "Eu estava interessada nele então? Naquele garoto que meus pais não aceitariam pela aparência vagabunda?" Sim, estava, exatamente por ele ser errado o suficiente sobre meus acertos. Não precisava de alguém correto, era o que me bastava.
Mas havia alguém dentro dele, talvez uma sombra que eu não conseguia identificar e foi esta mesma sombra que me levara para longe. Hoje convivo com a falta e as sobrecargas, que agora são mais constantes e não me surpreendem mais. Talvez ele esteja melhor sem mim e contento-me com a aparência fosca que possuo, as estrelas se apagam uma a uma, pois era a força dele que me fazia agir.
Tudo bem se ele estiver bem, eu também ficarei, não sei... Mas espero, em forma de soluções sucintas, que ele também sinta minha falta na mesma intensidade, talvez pior, que doa, passe a arder e talvez corroa até não suportar as feridas e assim ele venha até mim procurar a cura em meus braços, passando os dedos pelas bordas dolorosas e cobrindo de vivacidade o que a saudade não conseguiu apagar... E eu? Eu estarei aqui, esperando-o.