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Ouço o piano ritmar aquela melodia familiar no profundo exílio de meus pensamentos e pergunto-me: "Porque?" Penso em um pouco de morfina e palavras meio alcoolizadas soltas próximas a lacunas como aquelas em que você se colocava em minha frente... E tudo parece estável. Não darei mais passo algum e esperarei você se acertar momentaneamente com seus prejuízos de relacionamentos passados. E são passados. Talvez eu faça parte de um passado meio presente, pois não faz realmente muito tempo.
Eu desejava tê-lo. Ansiei tanto que pareço ter me frustrado. Será que tudo aquilo que ele demonstrava ser quando estávamos próximos fazia parte de uma máscara? Que contradição, pois veja só... Com ele, eu era um pedaço extremamente satisfatório de mim. Eu sorria, falava a primeira palavra que vinha em minhas idéias mais inconstantes e era sortidamente diferente... Talvez um pouco melodramática e estranha, talvez um pouco fria e agoniante, mas soube após alguns dias que era assim por um motivo: Medo de perdê-lo. Agora que perdi, o que irei fazer? Perdi a noção de resposta ao me fazer a pergunta.
Ora televisão, ora catastróficas declarações erradas, assuntos sem nexo, uma alta dose de mentiras, pois entenda, eu me engano, não é estranho como soa? Mas é verdade. Prefiro conviver com certas dificuldades do que arriscar-me a tê-lo de volta. Não quero promover a discórdia ou a fragmentação de sentimentos antigos, cômodos ou superficiais. Quero algo profundo, devastador, que alimente-me e me sacie, não desejo seus meros pedaços de amor. E convenhamos, você sabe o que isso significa? Não. Amar é estragar canções, ou melhor, grandes hits desfrutando até que os ouvidos se cansem. Chorar mil vezes a ouvir e banalizar grandes frases jogando-as ao vento enquanto olho pra o espelho e grito internamente: "O que diabos você está fazendo?" Mas que droga, eu mesma não sei o que é amar. Tenho idéia, suponho, mas só terei um entendimento após sentir, mas sentir a dois. Você me amando e eu sendo completamente sua, estando entregue, sinalizando 1 +1 = 1 em árvores simpáticas de revistas de signos. Totalmente clichê, não acha?
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