segunda-feira, 27 de agosto de 2012



Wait for me, Theory of a deadman. 
Conheço o piso desse apartamento como a palma de minha própria mão. E só eu sei como são as manhãs que passo após ele sair para as obrigações matinais. Ocupo minha cabeça com pensamentos diários: Contas em cima do balcão da cozinha para serem pagas, café fresco e exercícios, este último às vezes não tão frequente como gostaria que fosse.
O que importa agora é o café quente sobre aquele livro velho da prateleira esquerda que peguei sem prestar muito atenção, afinal, era só para ocupar minha cabeça até que ele chegasse. Fiquei com as mãos apoiadas no piso e com as pernas estiradas sobre o mesmo brincando com a ponta dos dedos, balançando os pés e inclinando a cabeça pra trás sentindo a brisa vir do alto das nuvens, onde nosso apartamento do último andar parecia tocar. Tudo cheirava a ele, a nós. Fiquei pensando como seria viver ali sozinha se um dia tudo acabasse, porque até o piso, este mesmo onde me apoiei para descansar mais um pouco, parecia conosco, com o nosso amor meio jogado entre as tabuas de madeira.
Ele chegou e encontrou-me ali meio largada, o olhei sorrindo e não disse absolutamente nada. Então ele sentou-se ao meu lado e acariciou meu rosto com a palma de uma das mãos enquanto sussurrei: "É a base do nosso amor, o piso onde estamos." Ele se inclinou na minha direção deitando-me e sem querer (ou querendo) derrubou minha caneca de café meio cheia e falou entre pequenos suspiros em meu ouvido: "Essa é a base do nosso amor, o piso onde estamos, bagunçado, esparramado, espalhado... Nosso."

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