quarta-feira, 14 de julho de 2010

Gosto como o som do piano me faz recordar. É quando posso fechar os olhos e ver os espelhos de minha memória girarem. É quando posso me ver e atrás de mim, você. É quando posso sentir de novo teus olhares sobre mim, teu corpo próximo ao meu, me aquecendo e assim enobrecendo minhas razões de afastamento. É quando posso medir o quanto posso agüentar sem você. É quando posso também conquistar o céu e as estrelas em profunda e conseqüente harmonia. Tenho que dizer que não brilharemos como antes. Afastados seremos foscos, mas alguém me disse que quando você fosse embora, levaria contigo minhas pequenas estrelinhas de gliter, minha lua de isopor e celofane, minha alegria. Ao mesmo tempo em que me aperta a tua falta, me relaxam os motivos. Foi necessário. Como também é necessário que haja o dia e que o mar espere pra encontrar novamente a lua tão distante. É necessário que eu te reprima, que doa, pra que exista cura. Sei que depois de tempos seu nome não soará da mesma forma em mim, talvez. Mas sei que soará e isso me deixa mais tranqüila. Queria dizer que mesmo que eu sempre ache que minhas palavras são vazias, pra você elas saem fáceis. Tenho vontade de sorrir e dizer: - Tudo bem se tentarmos mais uma vez. Mas ao mesmo tempo boa parte de mim se contradiz e eu não quero mais. O que de verdade quero é aprender outras coisas com você, me entender com os teus resmungos, me encontrar em nossas brincadeiras, me afundar e desfalecer em teus braços, na tua aparêcencia brava e suspiro meigo, teus dedos e carinhos em minha nuca, meu sorriso e resposta. O que mais quero é me manter, junto a você. Continuar te olhando enquanto os espelhos giram, enquanto o tempo passa. Só pra ter certeza que não é mais um sonho ou um pesadelo não ter mais você. Não ter mais o teu abraço reconfortante, os nossos mistérios e soluções repentinas. Basta que você me beije, pra que tudo fique em paz, pra que o meu mundo se torne mais completo. Necessidade e cura, por fim.

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