Me contaram que felicidade não grita, chama baixinho. Que acasos são chances que a vida lhe dá de encontrar certezas, olhares. Que amores de infância se perpetuam, que quando crianças descobrimos o desejo de querer, a necessidade de ter momentos e pessoas que te fazem bem, que estrelas cadentes estão na imaginação de quem as vê, que princípes encantados habitam apenas contos de fadas. Me alertaram que pedidos antes de apagar velas de aniversário acontecem se você não contar a ninguém; que se um dia depois de anos você encontrar o alguém que antes fazia você tremer, seu coração acelerará em uma velocidade tão estonteante que mesmo que amor esteja apagado, ele renascerá. Me confessaram que cartas de amor estarão sempre guardadas as sete chaves, que corações partidos podem se recuperar com um sorriso, que a vida por pior que seja ainda é vida, ainda é incessante. Me disseram que orgulho é incompreensível, mas aceito; que ilusões descobertas são aprendizagens, que amar alimenta o ego, que sofrer é saber que tudo é tão real quanto as lágrimas que escorregam pelo rosto e diminuem o coração; que pedidos de desculpas são ignorados por quem nada sente, ou talvez finjam não sentir. Me mostraram que na medida em que os anos passam, as pessoas passam, os sonhos, os desejos mudam, mas as lembranças ficam. E mesmo me contando, alertando, confessando, dizendo, mostrando, fui capaz de esquecer todos os fatores que me fizeram amar você por causa de pequenos palavras, de grandes deslizes. Fui fraca, hipócrita, ingênua. E por essas e outras que a vida, só ela, me fez viver o que jamais poderiam me aconselhar, que amor de verdade, sofre com a ausência, que pende, mas nunca falha. Que amor sofre e passa por acontecimentos desistentes, mas prevalece e me enche, me domina. Me faz ser palavras em páginas em branco que não consigo virar, que não quero esquecer, mas ao mesmo tempo me faz querer o nada, pra que o tudo seja mais feliz, pra que ele tenha a felicidade que não consegui proporcionar.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
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