quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Parecia uma miragem nos observar deitados na areia fria em uma praia que não me preocupei em saber o nome. Miragem esta que gostei de continuar a contemplar. A lua estava ali como em todas as noites, mas nós estávamos tão próximos que em um levantar dedos poderia tocá-la. Era a melhor e pior sensação da minha vida. Você estava ali, junto a mim, como em todos os meus diversos sonhos e, principalmente, como eu ansiava tê-lo. Seu rosto tão próximo ao meu causava calafrios que desconhecia a intensidade. Eram reais, eu diria, como nunca haviam sido. De repente todo o tempo de espera se transformou em migalhas insignificantes, mas úteis, eu precisava lembrar de cada segundo que fiquei a sua espera para conseguir aproveitar todo o seu eu colado em mim. E esta era a melhor sensação e toque vivenciados. Esforcei-me para armazenar o que poderia dentro de mim de como era infinitamente prazeroso sentir tua respiração ir e vir tão calma em alguns momentos, teus lábios desenhando os meus, tuas mãos a me envolver e o oscilar dos teus olhares sobre mim. Não posso definir ou pior descrever, o tentar disto seria inútil e por isto prefiro continuar esta tarefa de fazer e desfazer acontecimentos. Percebi que esse é o remédio eficaz para dois dos meus piores pesadelos: O medo de perder e o esquecimento. Manterei-te constantemente igual entre meus pensamentos, tocarei a lua ao sentir a tua alma esparramada sobre a minha e conhecerei o paraíso. E se o sol vier a aparecer rápido demais entre as nuvens e o céu pouco cinza, fecharei os olhos suplicando a sua volta, desejando incondicionalmente que algo além das nossas vidas mantenha o que sinto guardado contigo, entre teus dedos e sobre teu coração. A pior sensação, no entanto, seria vê-lo se afastar no meio da multidão, partir e voltar a sentir aquele aperto habitual, diferente, mas cruel.

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