Cada toque como uma nota vibratória em um círculo voraz de pequenas estrelas cadentes.
Então ele se aproximou de mim pela primeira vez, tocou minha cintura tomando-me e deixando nossos corpos o mais perto que já tinha visto. Fiquei o olhando enquanto ele vagava os olhos pelo que eu visto até dar aquele sorriso monótono de que estou acostumada, aquele arqueando as pontas dos lábios de forma tão sutil. Ele era muito sutil, sempre foi.
Entre um assunto ou outro ele pigarreava uma ou duas frases que me faziam tremer, mas delicadamente eu desconversava o chamando atenção para outro assunto sentindo-me um pouco tímida, mas ao mesmo tempo segurando as palavras dentro de minha boca. Queria impressioná-lo, e por isso o deixei abraçar-me. Proporcionei-me também o momento, sem pensar nos "e se" que aquele mero abraço podia nos provocar. Aproveitei-o em meus sonhos mais audaciosos e cheios de graça que pude, beijei-o sem que ele pudesse ver e consegui fixar cada traço minúsculo de seu rosto pra que fosse possível relembrar quando quisesse.
Às vezes o sentia tão amedrontado que podia dizer: "Ei, eu estou aqui." Mas permanecia com um selo entre os lábios, pois ainda tenho medo de falar o que ele me provoca e por isso mantenho-me firme entre a carcaça de meu corpo e o que há dentro, sobretudo em meu coração, pensamentos, idéias, vontades... Tenho medo, às vezes, de como ele irá reagir se de repente um dedo meu sair deslizando sobre sua pele e então deixo, relevo, aceito, compreendo enquanto quero gritar, explodir e encarar todas as conseqüências que nos impedem de explorar um ao outro como se fossemos um livro inteiro com pequenas respostas em entrelinhas. E eu o desejo, tanto, que podia arrebentar novamente os laços feitos pelas correntes de catastróficas inundações e confusões externas. No entanto, nosso mundo é tão parecido com o paraíso que estas mesmas, sim... As externas que mencionei há dois segundos, não me importam... Queria que ele soubesse disso também.
Enquanto ele dormia com o rosto próximo ao meu, (E dessa forma era possível sentir a respiração dele vindo de encontro a minha) olhei ao redor de seu apartamento do último andar, vi garrafas de cerveja espalhadas pelos móveis e algumas roupas meio largadas, mas eu gostava da visão que tinha agora, de repente aquele espaço parecia bem com o que eu deseja até então... E com ele, ali... Bom, não desejaria muitas coisas. O cheiro dele era tão agradável que meus sorrisos ao olhá-lo daquela forma, tão próximo a mim, eram mais frequentes e parecia que os meus momentos não podiam estar mais certos. Ele parecia o certo.
Gostaria de escrever mais vezes sobre ele, mas tenho medo que o descubram. Ele é meu segredo e se um dia o arrancarem, não sei... Talvez eu não seria mais assim, não teria a inspiração que tenho e perderia a razão, apesar que as vezes tenho a impressão que perdi esta última após vê-lo dormir e não desejar mais nada além dele a sentir meus lábios nos seus e nossas carícias enquanto o sol nasce e antes do mesmo se pôr. 18:10.
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