Dauðalogn, Sigur Ros. Você é a analogia perfeita entre "Smell like teen spirit" e "Wrong turn" sob cada toque em minha pele.
Ontem dormimos juntos, e quando digo "juntos" é no sentido literal da palavra... Pois durante a semana ficamos entre separações convencionais de amargas palavras incentivadas por outros, os externos de que sempre menciono. Mas ontem não, ontem eu o quis e ao mesmo tempo não. Descobri que próxima a ele todas as minhas influências devidamente programadas entre "Não ultrapasse o limite de velocidade" e "Pare em um cruzamento" são interrompidas pelas mãos dele sobre o volante e seus 100km/h provocando nossa colisão. Acidente de trânsito este onde tudo faz sentido. Duas únicas vítimas e a perda total da razão camuflada pelas correntes de destino finalizadas antes do amanhecer.
Sorrimos algumas vezes sobre aqueles lençóis nada gastos e não pensei em quem havia os frequentado antes de mim. Não me importei com absolutamente nada, nem com minhas vestes... Tudo era um pouco dele de qualquer forma.
Fui para cama já um pouco tarde e quando cheguei, encontrei-o em frente à tv entre sorrisos para um programa qualquer e senti um pouco de inveja por não serem para mim. Deitei. Ele decidiu como dormiríamos e aceitei a oferta sem me opor. Em dois outros minutos, lá estava ele entre minhas pernas, sobre mim, tão próximo, que não teria definição exata do que éramos naquele momento, mas gostava de sentir seu corpo no meu.
Não esperava que ele arriscasse, mas o fez... Trouxe seus lábios de encontro aos meus e tremi. Haviam sido 38 dias de espera. Mil borboletas meio atrevidas batiam suas asas frequentemente dentro de mim a cada singela demonstração perspicaz de desejo. "Não consigo." sussurrei instantaneamente sob o cansaço voraz da espera. Ainda existia alguém, aquela sombra, mas não queria mais lutar com essa tempestade, ir na direção seria mais fácil. Saciei minha insanidade momentânea com toques sobre sua pele, sorri algumas vezes entre seus braços, (meio protegida propositalmente, ou presa, não sei.) talvez ele tivesse medo de uma fuga. Provoquei-o algumas poucas vezes e disparei a frase esperada, apta ao contato final, propícia ao encontro, a mesma colisão e indiscreta porta de entrada para o sacrifício quente e talvez doloroso de uma fagulha promissora. Eu teria que entender e suportar as sequelas.
Então ele beijou-me os lábios e não o indaguei. Submeti a façanha de abertura e o encontrei a minha espera naquele quarto meio bagunçado, onde tudo parecia, ao mesmo tempo, em ordem... Mas e internamente, será que estávamos? Não acredito, pouco entendo. Às vezes tenho vontade de largar cada pequena partícula presa em mim que o mantém ali, mas meu coração balbucia palavras de conforto até minha razão: "Stay in there" ou "Existe essa confusão, mas insista." Será que vale a pena mesmo... Insistir?
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