domingo, 8 de julho de 2012

Desperate, Stanfour. Capítulo 08 de julho.

Hoje a tarde, caminhando por uma rua qualquer, parei para observar atentamente o que não tenho prestado atenção nos últimos anos. As flores nos canteiros dos vizinhos, as árvores pouco molhadas da chuva e o céu nada azul. Haviam nuvens carregadas ao norte e nenhum sinal de melhora do tempo. Então fechei os olhos e senti a mesma turbulência da tempestade próxima. Eu não estava mais vazia, havia alguém que fazia meu corpo tremer com a presença e ausência. 
Tive medo. Não o que costumava a ter quando me sentia sozinha, mas o que meus pensamentos podiam dizer. Às vezes tinha medo de entregar-me completamente, abrir os braços e receber um abraço qualquer confortável, meio desajeitado e sentir confiança. Há anos não sabia o que era escrever para mais alguém que não fosse aquele que havia pendurado o nome nas passagens de sangue do meu coração. Eu o sentia, antes, por todo o corpo e os tremores já eram frequentes com qualquer aproximação que fosse, mas agora não... Na última vez em que o vi, tive a certeza magnífica de que não há mais nenhuma partícula minha carregando a doença. 
Tive medo. Mais uma vez porque estava acostumada com o veneno destilado e as funções reprimidas, as palavras destruídas com diálogos monossilábicos em dias tristes de domingo, as palavras marcadas em negrito com "Não acredito no que você sente por mim" ou "Não posso retribuir isso agora." Tudo estava gravado em minhas memórias recentes com micro-lembretes de gosto amargo na ponta de minha língua, lembrando-me sempre como era impossível conseguir algo sem lutar para que fosse realmente real. Descobri então que fui fraca, mas há palavras que o futuro se encarregará de fazê-lo saber os "porquês" de tantos "Não" pensados como "Sim."
Hoje não tive medo de observar meus passos, as flores, as árvores, pois não há certeza maior em minha vida do que a que eu o amei de verdade, por este mesmo motivo não irei arrepender-me pelo que aconteceu em meses, anos passados... Coloquei em minha vida um ponto final sobre o nome dele riscado ao meio e comecei uma nova história... E irei salientar, nunca pensei que um dia iria conseguir tamanha façanha ou que alguém conseguiria este feito, e espero continuar a deliciar-me entre palavras de felicidade, já que todas as que proferi e homenageie nos últimos anos sofreram tanto com as lágrimas que se escorregavam livres pelos meus dedos e as levavam até aqui. E cá estou eu, libertando-me da prisão domiciliar que criei, da gaiola onde meu pássaro azul estava alojado. E entreguei as penas destruídas das tentativas insanas de fugir a outro alguém, e lá está ele a cuidá-las. Não há mais danos, o amor dele de alguma forma curou-me as feridas, construiu novas maneiras de permanecer, de prender-me em seus braços, fazendo-me dormir a noite entre sorrisos e... Às vezes em manhãs em claro, imagino vê-lo dormir. Sentindo-me dele.  

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