terça-feira, 26 de junho de 2012


Capítulo 26: Infiltrados.
Nós estávamos meio frios, secos e instáveis. Eu havia voltado há poucas horas, então esse era o motivo? Quando penso em uma viagem qualquer nos filmes de comédia romântica ou drama, imagino aqueles reencontros em metrôs, rodoviárias ou aeroportos, aqueles abraços calorosos e evasivos que tocam a alma, que provocam lágrimas... Mas nós não, nós estávamos frios. E então fui surpreendida com um "Vou embora." E o olhei tão perplexa que não soube de que forma responder. Pensei em segurar sua mão, buscar os dedos, implorar com um abraço, sussurrar pequenas insanidades enquanto envolvia minhas mãos em seus braços, deixar as minhas lágrimas presas se libertarem... Mas preferi chorar internamente. Meu corpo reprimia-se com a ausência mínima de seus braços enquanto ele andava em direção a porta. Levantei em um impulso e o observei abrir a mesma, sugerindo a partida instantânea sobre o meu olhar de expectadora mínima dos fatos. Meu coração com pequenos suspiros desejava: “Desista. Volte. Fique.” E não era audível para mais ninguém que não fosse ele. Baixei o rosto, procurei respirar algumas vezes profundamente, mas nada apagaria a feição triste em meu rosto. Segurei as palavras e o vi olhar pra mim uma última vez até passar. Andei com passos rápidos até a porta, segurei a maçaneta e pendi o rosto sobre a lateral, observando-o partir. E então gritei seu nome entre os pequenos cristais que rolavam pelo meu rosto. Ele virou e me viu no meio daquele corredor desolada, perdida... “Não...” Continuei entre o choro. Ele andou na minha direção meio desesperado e tomou-me em suas mãos levemente recostadas em meu corpo, colou sua testa na minha e limpou minhas lágrimas com o polegar, o vi prestes a desprender a vontade e chorar comigo... Com tudo, continuei com os olhos baixos enquanto tocava seus ombros... “Eu te amo” sussurrei e me senti infiltrada em seu coração sem permissão alguma e descobri que não poderia haver algo melhor em toda a minha vida. “Não posso viver sem você.” Ele disse, e tudo ficaria bem. Estávamos infiltrados.

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