Estava frio em Nova Iorque. Sai daquele apartamento a procura de consolo vespertino em qualquer lugar. Talvez um café quente e um lenço para as lágrimas, mas ao fim não procurei nenhum dos dois mencionados anteriormente. Procurei o prédio mais alto da cidade com a vista voltada para o mar e que me proporcionasse o pôr-do-sol com a visão da imensidão de meus pensamentos. Subi as escadas que davam acesso ao terraço descoberto, sentei na ponta de um bloco de concreto e deixei os pés soltos, fechei os olhos e deixei que os poucos raios de sol que restavam me aquecer. Chorei, mas não pela discussão diária que havia deixado naquela sala antes de estar aqui, mas pela confusão em meu coração. Abri os olhos, vi o céu naquele laranja ao fundo e azulado mais próximo a mim, as nuvens com aquelas formas de animais, estrelas e outras coisas como se fossem algodões. Tão intenso. Balancei os pés como uma criança feliz com um pirulito em sua primeira primavera no sítio... E sorri ao lembrar de minha infância. Desci de onde estava sentada e caminhei até a ponta, subi o degrau e olhei para baixo, dando-me leve tontura. Tremi e engoli a seco. Respirei fundo e fechei os olhos surrando: “Parachutes.” E então a porta pela qual eu havia entrado rangeu. Olhei para trás e surpresa o fitei quando começou a se aproximar de mim. “Get out here.” Gritei aos prantos. “Come on, stay with me.” Ele sussurrou segurando minha mão e olhando em meus olhos. E então me impulsionei pra atirar-me, e ele com os olhos cheios de lágrimas soltou minha mão e levou-a até meu casaco, puxando-me de volta e segurando-me em seus braços. Escondi meu rosto em seu ombro e ele encostou o seu no meu. “You can’t..."
sábado, 14 de julho de 2012
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