Algo me incomodava, não sabia ao certo o que era, mas permaneci alguns segundos ouvindo aquela voz dizer "Mellanie"... E soava tão doce quanto a própria. Levantei em dois segundos, deixei cinquenta reais sobre a mesa do bar e parei em frente a porta enquanto ajeitava meu casaco. Logo depois a abri, corri na direção dela e aumentando duas oitavas na voz, gritei seu nome. Ela virou o rosto na minha direção com um meio sorriso e novamente tive a sensação de poder ver o sol nascendo bem próximo a mim. "Oi estranho do bar." "Posso acompanhá-la até seu destino?" Ela sorriu, então será que aquele sorriso era a resposta que eu precisava? Sim. "Tenho outra opção? Você me fez companhia no café." "Não quero incomodá-la." Mellanie inclinou o rosto pra o lado e deu outro sorriso enquanto colocava as mãos dentro dos bolsos do sobretudo. "Moro um pouco longe, mas posso oferecer-lhe uma xícara de café quando chegarmos."
Parecia uma boa ideia, mas eu diria que, era meio insana. E se eu fosse um psicopata e tivesse uma arma dentro de algum bolso? Bom, não irei pensar em hipóteses que não serão concretas de modo algum. Eu só era um cara do bar, que tomou duas doses de um uísque qualquer e agora estava caminhando com a menina do café e sapatos úmidos com sorriso radiante e olhos azuis como o céu em dias ensolarados.
Depois de alguns minutos meio calados, fiquei observando-a caminhar e prestei atenção em suas vestimentas, o sobretudo vermelho realçava seus olhos, pele branca e o cabelo preto, ela era linda. Não só a aparência física, mas tinha uma coragem verdadeiramente invejável para levar um estranho até sua casa. "Posso saber o nome do psicopata que levarei até meu apartamento para tomar café?" Ela disse em um tom brincalhão enquanto entrava na portaria do prédio e acenava para o guarda. "Um assassino fala sua identidade antes de matar a vítima?" Mellanie olhou pra mim e deu uma gargalhada dando um sorrisinho de lado logo após, destruindo minha brincadeira com aqueles olhos. Aqueles olhos. "Melhor subirmos." Acompanhei-a até o terceiro andar, caminhamos por um pequeno corredor e entramos no apartamento 306 e a vi procurar as chaves na bolsa por alguns segundos. "Aqui está." Disse ela ao encontrar e convidando-me para entrar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário