quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Capítulo I: Overcome. 


Possuo pequenas palavras em minha memória recente daquele inverno sob neve. Procurei, mesmo no frio de Nova Iorque, algo forte e quente nas ruas. Entrei naquele bar sem muitas expectativas e a vi ali, sentada com uma caneca quente de café e canela, olhando pela janela os flocos de neve caindo no chão com um sorriso meio sem caso. Escolhi a mesa na sua frente e disfarçadamente continuei a observá-la. A garçonete precisou tocar levemente em meu ombro para alerta-me sobre o pedido e respondi rapidamente ainda em êxtase: "Whisky duplo, por favor."
Em cima da mesa dela havia um exemplar de "Diário de uma paixão", papel e caneta. Pude também notar seus sapatos ainda úmidos e a caneca ainda cheia, isso queria dizer que não havia muito tempo em que ela estava ali a olhar pela janela, e tenho certeza de que não notou minha presença. 
Meu whisky havia chegado acompanhado de gelo. Tomei-o com um gole e pedi outro. Parei de observá-la e baixei a cabeça até ver os sapatos curiosos ainda úmidos mais próximos: "Posso sentar?" Levantei a cabeça sem hesitar ouvindo aquela voz doce prosseguir: "Somos as duas únicas pessoas sozinhas neste bar, talvez queira me fazer companhia." Ela colocou as mãos sobre a mesa e isso fez com que seu casaco subisse um pouco deixando a mostra uma tatuagem peculiar. "O que significa?" Disparei, e ela cuidadosamente puxou o casaco. "É uma velha história. Quer café?" Ela disse empurrando sua caneca na minha direção e apenas lhe mostrei a garçonete trazendo minha outra dose. 
"Você tem um jeito..." Continuou e eu apenas fiquei prestando atenção em seu cabelo e olhar. "Um jeito diferente." E então ela sorriu e tudo se iluminou. "Qual seu nome?" Disse sem pensar, eu só queria ter oportunidade de saber como o nome dela soaria. "Pensei que ia perguntar sobre o jeito diferente e não meu nome." Ela mordeu os lábios levemente acompanhado de um outro sorriso, e não me satisfez mais, eu precisava ouvir seu nome para que minha memória captasse e nunca mais eu pudesse esquecer aquele rosto e nome, nome e rosto. Seria uma ligação.
Ficamos alguns minutos calados e tomei minha dose mais devagar, pois senti que ela fazia o mesmo com o café que, pelo tempo, já estava frio e ela o mantia ali como uma espécie de prisão e estava sendo épico. Veja só como soa romântico: Nós estavamos ali, naquele bar, por algum motivo aparente... Então nos esbarramos e ela, muito intuitiva, veio até mim com um tipo de diálogo natural e muito persuasivo, dividindo a mesma mesa que eu, o mesmo papo direto e os mesmos goles de bebidas distintas. Talvez fossemos pra ser assim, nos comparando a uma bebida qualquer em um bar. É assim que grandes histórias começam. 
"Tenho que ir." Ela disse depois de muitos minutos em silêncio, então, buscando o livro, papel e a caneta sobre a mesa, foi se levantando e deixando o dinheiro para o café. "Tudo bem." Eu disse em tom insatisfeito e ela sorrio segurando na porta e algo a fez virar o rosto na minha direção novamente. "Mellanie, meu nome é Mellanie." 

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