Peguei aquele velho uísque na prateleira do bar e um copo qualquer. Duas doses seguidas, sem caretas pelo amargo. Olhei para mim no reflexo do espelho da sala e me vi vestida com aquela camisa azul que havia escolhido na noite passada, e me senti suja. Fragilmente sem órbita.
Deixei a garrafa sobre algum lugar visível para que fosse possível pegar quando o copo estivesse seco. Coloquei minhas duas mãos sobre aquela camisa e puxei, vendo os botões saltarem e as costuras se abrirem pela força. Estava quase em pele, fui andando com passos curtos pelo cômodo vazio e passei a mão levemente sobre as bancadas, fazendo os vasos e futilidades caírem, se espatifarem em micro pedaços no chão, como eu estava. Segurei o copo com a outra mão e chorei enquanto tomava. Andei sobre os cacos de vidro, sem me importar o que me cortavam os pés, até a estante central daquela sala vazia e segurei uma nova garrafa, abri e tomei um misero gole, atirando-a contra a parede em seguida e ouvindo um barulho ensurdecedor após. A porta se abrira e senti os passos rápidos me resgatarem, mãos ao redor de minha cintura, erguendo-me da loucura e devastando meus pesadelos. Larguei o copo no chão, fiz força pra que meu corpo se pusesse novamente sobre os cacos, mas ele não deixara. Gritara meu nome algumas vezes como uma espécie de libertação e eu ouvia, mas estava doente. Enfermidade incurável. Ele levara-me para a calmaria, entrara comigo no banheiro e enquanto me dava banho pedia pra que olhasse apenas nos seus olhos, aqueles negros e calmos no centro de minha terna impaciência, se é que existe esse tipo.
Deixei a garrafa sobre algum lugar visível para que fosse possível pegar quando o copo estivesse seco. Coloquei minhas duas mãos sobre aquela camisa e puxei, vendo os botões saltarem e as costuras se abrirem pela força. Estava quase em pele, fui andando com passos curtos pelo cômodo vazio e passei a mão levemente sobre as bancadas, fazendo os vasos e futilidades caírem, se espatifarem em micro pedaços no chão, como eu estava. Segurei o copo com a outra mão e chorei enquanto tomava. Andei sobre os cacos de vidro, sem me importar o que me cortavam os pés, até a estante central daquela sala vazia e segurei uma nova garrafa, abri e tomei um misero gole, atirando-a contra a parede em seguida e ouvindo um barulho ensurdecedor após. A porta se abrira e senti os passos rápidos me resgatarem, mãos ao redor de minha cintura, erguendo-me da loucura e devastando meus pesadelos. Larguei o copo no chão, fiz força pra que meu corpo se pusesse novamente sobre os cacos, mas ele não deixara. Gritara meu nome algumas vezes como uma espécie de libertação e eu ouvia, mas estava doente. Enfermidade incurável. Ele levara-me para a calmaria, entrara comigo no banheiro e enquanto me dava banho pedia pra que olhasse apenas nos seus olhos, aqueles negros e calmos no centro de minha terna impaciência, se é que existe esse tipo.
Em algum momento, senti-me sobre lençóis e ouvi aquela voz tranquila próxima a mim. "Ela vai ficar bem." Ele dizia. E ao mesmo tempo se enraivecia, chegava próximo a mim, aos meus lábios e sussurrava algumas coisas inaudíveis misturadas com soluços intermináveis. Abri os olhos como em um retorno de um coma, respirei fundo e sussurrei: "Mandei você ir embora de uma vez, então vá."
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