domingo, 3 de fevereiro de 2013

8pm part III: You're missing it. 
Manhã de quarta-feira. Joseph saira tarde e já eram 5 da manhã quando consegui dormir depois de ler. Meus pensamentos penduravam palavras em seu varal a céu aberto e havia angústia. Não sei exatamente por qual motivo, talvez por causa de meu noivo de dois anos ter deixado-me por diferenças notáveis… Ou eu estava apenas nervosa por causa do cara-da-cafeteria. Não sei, mas bateu uma melancolia.

Levantei com algum esforço e coloquei meu ipad posicionado na estante para tocar. “If I told you” de Jason Walker inflamava meu coração, explosões de segundos e lágrimas prontas atrás de meus olhos. Katherine, controle-se. Repeti aleatóriamente, descrente de mim mesma. Meu dia se resumiu a cama e ao sofá, acompanhada daqueles biscoitos em forma de rosquinha que tanto amo e café bem quente. Eu queria uísque, mas também queria estar sóbria mais tarde. Desliguei o ipad, peguei um bloco de notas esquecido sobre minha mesa de estudo e escrevi algumas frases, como desculpas para aliviar meu interior. Larguei-o de volta na mesa e respirei fundo, comprimindo as lágrimas e sentei no sofá ligando a tv. Canais chatos: Filmes de ação, alguns reprisando lutas e desenhos, muitos desenhos. Desliguei e deitei, olhando pra o teto, inerte e perdida, adormecendo logo depois.

Acordei meio desesperada pensando na hora, já eram 6 da noite e nenhum sinal do dia ter ido embora. Ainda estava claro, apesar da neve. Enrolei-me no lençol de rede em meu sofá, deitei de lado e passei alguns segundos nessa posição, enroscando as pontas dos meus pés na almofada, aninhando-me no nada até ser tomada de alguma esperança. Respirei fundo e levantei-me. Merecia um banho, algo bom, que pudesse limpar as impurezas de sofrimento agregadas a mim.

O banho estava quente e passei alguns minutos sob a água. Peguei meu esfoliante preferido e esfreguei até que minha pele estivesse em um tom de rosa. Eu tinha raiva, mas não sabia exatamente do que. De Joseph? Era saudade da minha vida pacata no interior? Ou quando eu não precisava de ninguém para sentir-me mais… viva? Não sei. Sai do banho e vesti um jeans com uma camiseta cinza, peguei meu cachecol rubro e sobretudo preto… Sorrindo ao ver minhas sapatilhas vermelhas, lembrando do que o cara-da-cafeteria disse sobre elas. Não pensei duas vezes e as coloquei. Sai na noite de Nova Iorque com um destino certo.

Cheguei na cafeteria por volta das 7:45, tirei o mesmo livro da outra vez da bolsa e sentei. Com um tempo a garçonete apareceu em minha frente esperando, pedi um cappuccino e cookies, clichê. Não tirei o casaco, pois mesmo dentro da cafeteria, estava frio. Afrouxei o cachecol e continuei lendo. O tempo passou rápido e de vez em quando tirava a atenção do livro, para as pessoas. Ele não estava ali, mas havíamos combinado. O que tinha acontecido? Às 8:15, resolvi ir embora, ajeitei a roupa, levantei e coloquei o dinheiro em cima da mesa. “Boa noite, srta. Smith.” E sorri para Claire, a minha atendente preferida. Dei-me conta de que ela não estava ali na segunda e por isso o cara-da-cafeteria disse que ninguém sabia meu nome.

Sai meio desconsolada, porém, nada poderia deixar-me mais. Fiquei observando uma pequena fila se formando na frente de um estabelecimento que eu não conhecia na Avenida 3, próximo a um bar de sinuca e resolvi checar o que estava acontecendo. Chegando mais perto, vi Joseph e uma garota, meu coração foi ao chão. Engoli em seco e pensei que fosse desmaiar. Minha vista escureceu e não senti minhas pernas. De repente duas mãos apoiaram-me em seus braços e depois de dois segundos, apaguei.

Nenhum comentário: