8pm part IV: Happiness
Eu estava cansada, senti meu corpo dolorido e minha cabeça doia. Não lembro-me de quase nada, não sei o que tinha acontecido após ver Joseph e aquela garota. Tive medo de abrir os olhos e deparar-me com o hospital. Engoli em seco com a idéia e pressionei os lábios, deixando-os em uma linha. De repente uma música familiar tomou o “possível” cômodo onde eu estava e ainda de olhos fechados me senti aliviada por não ter conhecimento de algum hospital em que violões eram permitidos. “Happiness” de The Fray, identifiquei! Fui tomada por uma espécie de bondade e anestesia, afinal, essa era uma das músicas que mais escutei nos últimos anos.
Não resisti e abrir os olhos gradativamente, não havia luz a não ser a da rua e agradeci por isso. Sorri ainda por causa da música e o vi. Ele estava na varanda, com calça de moletom, sem camisa e me surpreendi com a quantidade de tatuagens em seu peitoral, braços e costas, os olhos semi-cerrados nas cordas do violão e ele estava fazendo o som (quase inaudível) da letra da música enquanto concentrava-se nas notas. A neve tinha parado e o céu estava meio aberto, haviam estrelas e não consegui ver os outros prédios. Era a visão mais bonita que eu já tinha apreciado na vida. Não por ser o cara-da-cafeteria, mas por tudo estar em harmonia. A luz, o violão, a música, e ele, sim, ele.
Fiquei observando-o e não conseguia parar de sorrir. Ele não me notou, eu estava deitada em seu sofá, enrolada em um lençol e aconchegada, sem sapatilhas e sobretudo. O jeans não incomodava, devia ser porque eu estava relaxada também. Quando ele parou, olhou na minha direção e senti vontade de fechar os olhos para que ele continuasse, mas pegou-me desprevinida. Eu queria que ele continuasse, mas não. Ele virou na minha direção e sorriu.
- Você estava me espionando. - Sussurrou colocando o violão de lado e fiz um biquinho.
- Não quero que pare. - Mordi o lábio e sorri.
- Como você está? - Ele cortou e franzi o cenho com um pouco de raiva.
- Não lembro o que aconteceu. - Disse, e era verdade. Com um impulso, levantei, sentando e juntando os pés.
- Não sei o que viu, mas ficou estranha. Eu estava a caminho da cafeteria para nosso encontro, havia me atrasado um pouco. Então vi você, estava pálida e não pensei duas vezes. - Senti uma pontada de preocupação em seu semblante e olhei para baixo.
- Vi meu ex com outra pessoa… - Meus olhos encheram de lágrimas. - Eu não havia me alimentado direito durante o dia e acho que fiquei nervosa… Obrigada. - Olhei para ele com vergonha, mas não me importei.
- Katherine Smith. - Ele sussurrou. - Não agradeça. - Ele trouxe a cadeira para perto de mim e segurou minhas mãos.
- Não sei seu nome. - Tentei sorrir, mas foi uma tentativa falha. Lágrimas começaram a brotar de meus olhos e ele gentilmente passara o polegar sobre minha bochecha.
- Jack Marshall, srta Smith. - Fiquei pensando como ele sabia meu nome, e então imaginei que já que ele levaria alguém para seu apartamento, verificaria pelo menos seus documentos.
Ele levantou, caminhou para algum lugar e observei mais uma vez seu corpo discretamente. Quando Jack voltou, estava segurando duas canecas e me ofereceu uma.
- Café? - Assenti e segurei a caneca. Ele voltara para a cadeira na minha frente e ficou observando-me como uma águia. Os olhos azuis dele eram escuros, os lábios em linha reta e assustei-me um pouco, admito.
- São tantas. - Apontei para seus braços e franzi o cenho novamente, tentando assimilar os desenhos.
- São… Perdi as contas. Mas você também tem. - Encolhi meus ombros e me assustei de novo olhando para meu pulso, para o desenho que ele havia reparado na primeira vez em que nos falamos.
- Tenho… algumas. - Tomei um gole do café e estremeci quando ele levantara e sentara ao meu lado, fiquei observando os olhos dele nos meus.
- Seu rosto tem algo… que eu gostaria de sentir. - Puxei o ar bruscamente, prendendo a respiração por segundos e tentei conter o êxtase de seu toque logo depois. O polegar passeava sobre a maçã de meu rosto e fechei os olhos. Joseph não costumava acariciar-me assim, era doce, apesar da aparência de Jack ser bruta. Soltei o ar, deixando-o fluir entre nós dois e abri os olhos, encontrando os dele.
- Eu tenho que ir. - Levantei do sofá, deixando-o em alerta. Coloquei a caneca sobre a mesinha central e calcei a sapatilhas. Olhei para ele meio aflita e peguei meu sobretudo.
- Você não precisa ir, Katherine. - Os olhos dele estavam passivos agora.
- Obrigada pelo que fez por mim, pelo café e pela música. - Ignorei-o. Ele levantou, caminhou na direção da porta comigo e encostou-me nela. - O que está fazendo? - Fiquei incrédula com tal reação.
- Não quero que vá, fique comigo. Você sequer sabe onde está, e você está fraca, atordoada, posso ver. - E ele estava certo.
- Vou dormir na casa de alguém que não conheço?
- Não precisamos dormir.
- O que? - Não acreditei que ele disse isso.
- Você pode ler para mim. E eu tocar pra você. - Ele sorriu. E o sorriso dele era mágico, dilacerou-me sem piedade.
- Sem toques. - Disse como uma espécie de acordo.
- Sem toques. - Sussurrou, assinando assim a minha carta de rendição.
Não resisti e abrir os olhos gradativamente, não havia luz a não ser a da rua e agradeci por isso. Sorri ainda por causa da música e o vi. Ele estava na varanda, com calça de moletom, sem camisa e me surpreendi com a quantidade de tatuagens em seu peitoral, braços e costas, os olhos semi-cerrados nas cordas do violão e ele estava fazendo o som (quase inaudível) da letra da música enquanto concentrava-se nas notas. A neve tinha parado e o céu estava meio aberto, haviam estrelas e não consegui ver os outros prédios. Era a visão mais bonita que eu já tinha apreciado na vida. Não por ser o cara-da-cafeteria, mas por tudo estar em harmonia. A luz, o violão, a música, e ele, sim, ele.
Fiquei observando-o e não conseguia parar de sorrir. Ele não me notou, eu estava deitada em seu sofá, enrolada em um lençol e aconchegada, sem sapatilhas e sobretudo. O jeans não incomodava, devia ser porque eu estava relaxada também. Quando ele parou, olhou na minha direção e senti vontade de fechar os olhos para que ele continuasse, mas pegou-me desprevinida. Eu queria que ele continuasse, mas não. Ele virou na minha direção e sorriu.
- Você estava me espionando. - Sussurrou colocando o violão de lado e fiz um biquinho.
- Não quero que pare. - Mordi o lábio e sorri.
- Como você está? - Ele cortou e franzi o cenho com um pouco de raiva.
- Não lembro o que aconteceu. - Disse, e era verdade. Com um impulso, levantei, sentando e juntando os pés.
- Não sei o que viu, mas ficou estranha. Eu estava a caminho da cafeteria para nosso encontro, havia me atrasado um pouco. Então vi você, estava pálida e não pensei duas vezes. - Senti uma pontada de preocupação em seu semblante e olhei para baixo.
- Vi meu ex com outra pessoa… - Meus olhos encheram de lágrimas. - Eu não havia me alimentado direito durante o dia e acho que fiquei nervosa… Obrigada. - Olhei para ele com vergonha, mas não me importei.
- Katherine Smith. - Ele sussurrou. - Não agradeça. - Ele trouxe a cadeira para perto de mim e segurou minhas mãos.
- Não sei seu nome. - Tentei sorrir, mas foi uma tentativa falha. Lágrimas começaram a brotar de meus olhos e ele gentilmente passara o polegar sobre minha bochecha.
- Jack Marshall, srta Smith. - Fiquei pensando como ele sabia meu nome, e então imaginei que já que ele levaria alguém para seu apartamento, verificaria pelo menos seus documentos.
Ele levantou, caminhou para algum lugar e observei mais uma vez seu corpo discretamente. Quando Jack voltou, estava segurando duas canecas e me ofereceu uma.
- Café? - Assenti e segurei a caneca. Ele voltara para a cadeira na minha frente e ficou observando-me como uma águia. Os olhos azuis dele eram escuros, os lábios em linha reta e assustei-me um pouco, admito.
- São tantas. - Apontei para seus braços e franzi o cenho novamente, tentando assimilar os desenhos.
- São… Perdi as contas. Mas você também tem. - Encolhi meus ombros e me assustei de novo olhando para meu pulso, para o desenho que ele havia reparado na primeira vez em que nos falamos.
- Tenho… algumas. - Tomei um gole do café e estremeci quando ele levantara e sentara ao meu lado, fiquei observando os olhos dele nos meus.
- Seu rosto tem algo… que eu gostaria de sentir. - Puxei o ar bruscamente, prendendo a respiração por segundos e tentei conter o êxtase de seu toque logo depois. O polegar passeava sobre a maçã de meu rosto e fechei os olhos. Joseph não costumava acariciar-me assim, era doce, apesar da aparência de Jack ser bruta. Soltei o ar, deixando-o fluir entre nós dois e abri os olhos, encontrando os dele.
- Eu tenho que ir. - Levantei do sofá, deixando-o em alerta. Coloquei a caneca sobre a mesinha central e calcei a sapatilhas. Olhei para ele meio aflita e peguei meu sobretudo.
- Você não precisa ir, Katherine. - Os olhos dele estavam passivos agora.
- Obrigada pelo que fez por mim, pelo café e pela música. - Ignorei-o. Ele levantou, caminhou na direção da porta comigo e encostou-me nela. - O que está fazendo? - Fiquei incrédula com tal reação.
- Não quero que vá, fique comigo. Você sequer sabe onde está, e você está fraca, atordoada, posso ver. - E ele estava certo.
- Vou dormir na casa de alguém que não conheço?
- Não precisamos dormir.
- O que? - Não acreditei que ele disse isso.
- Você pode ler para mim. E eu tocar pra você. - Ele sorriu. E o sorriso dele era mágico, dilacerou-me sem piedade.
- Sem toques. - Disse como uma espécie de acordo.
- Sem toques. - Sussurrou, assinando assim a minha carta de rendição.
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