domingo, 9 de junho de 2013

Abismos inteiros de você.
          Abri os olhos para um teto estranho, meus olhos fitaram o lustre a cima do lugar onde, provavelmente, adormeci e fiquei observando-o por alguns segundos. Minha pele pinicava como em dias de sol escaldante ou frio absoluto, e minha voz não saia. Acordei com a impressão de tempo perdido, chama apagada e condolências passivas de um monólogo enfático sobre amor. Minha cabeça doeu ao imaginar e decidi que já era hora. Eu o vi passando por meus pensamentos e rapidamente retirei toda a possibilidade indevida, empurrei a ideia de encontrá-lo e, simplesmente, decidi não-me-mover. Senti que as palavras haviam se esgotado e outro tipo de tratamento seria aceito. Pedi redenção, perdão, fiz juras e promessas vagas para arrancá-lo de meio peito durante anos, e não fui aclamada, apenas acometida por mais desse amor desnecessário para a minha sobrevivência. E tão necessário. Contradição. Não sei responder seu olhar ou compreendê-lo; você é uma surpresa-enigma para mim, mas gosto de como soa. E como seu toque se faz em mim, agrada-me como me olhas e devora-me o cenho. E de repente, tudo o que era proibido, volta a ser aceito, como se a facilidade estivesse diante de meus olhos e não pudesse ver. E como me atrai a imprudência divina e a satisfação momentânea, mas… Até quando?

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