sábado, 13 de agosto de 2011

Stop and Stare. Enquanto o piano toca ao fundo, fecho os olhos e sinto o passado e o presente se chocarem com uma força sobrenatural dentro de mim. Ouço cada tecla ser naturalmente ritmada e percebo que não existe mais aquele olhar fixo em um movimento precursor de sentimentos, não existem abraços apertados a me envolver ou a contração firme de salvamento. Me sinto afogar profundamente em escolhas passadas que desencadearam o hoje. Estamos em alguma tempestade de "asintonia" onde cada pingo a tocar em cada tecla solta do dia se torna um obstáculo, mas não há o que fazer. Me certifiquei disso. Mesmo que ainda exista o interior a se esconder entre as precárias sobras, não podemos reavivá-la sobretudo. Temos apenas que entender que os anos se passarão e nunca estaremos prontos para arriscar a saltar sem esperar o conforto da queda. Não podemos desprender o passado e agarrar o futuro de tão incerto que é. E é esse medo que nos faz viver cada partícula que não nos torna ligados, porque desta forma é fácil. Não nos vendo, não nos tocando, esses tantos "não" na frente e criando a problemática. Preferimos viver a mentira de felicidade a nos tornar reais. Não aceitamos que em todos esses anos, por mais esporádicos que tenham sido, não deixamos de pensar em nós. Me entristece, mas tento compreender. Continuaremos assim, desta forma, nos massacrando a ter que massacrar. Buscando formas de interromper e absorvendo o que não nos faz parte. Nunca saberemos como teria sido. Será apenas passado.

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