segunda-feira, 9 de abril de 2012

Após a seqüência de insultos sobre olhares e expressões fúteis, ela estava ali em minha frente com pouca roupa e conseguia imaginá-la sem aquelas peças. Meu corpo sob catástrofes queria que ela estancasse a fala e movesse apenas os membros próxima a mim, mas sua voz doce com aquelas palavras insinuantes a deixavam com um tom de nitidez inalcançável pelos demais. Se eles a pudessem ver agora, seria como em um monologo teatral onde todos observam apenas um ponto no palco. Em um impulso confuso a tomei pelo braço e aproximei meus lábios de seu rosto, escorregando o nariz por sua bochecha e o cheiro dela agregado a discussão causava-me uma espécie de confronto. Ela me empurrava e batia como se conseguisse realmente machucar-me. A intenção de fato não era essa, seus olhos denunciavam a ânsia de manter aquele segundo de mensagens aleatórias e toques confusos. Ela pararia e não esconderia mais, tinha certeza. Encostei seu corpo naquele balcão e não conduzi minhas mãos por seu corpo, eu não controlava mais nada.

Ele socorria minhas denuncias uma a uma de forma tão natural que para mim era cada vez mais inacreditável que ele pudesse compreender-me pelo olhar. Talvez se eu fechasse meus olhos ele compreenderia pelas ações corporais? Não creio, mas também não o condenaria se conseguisse. A baixa luz e o escorregar de suas mãos por minha pele funcionava como uma anestesia interna entre depressão e comprometimento. Eu queria minha sanidade de volta, a que ele havia roubado quando se aproximara de mim. Contudo, consegui reprimir-me por alguns milésimos de segundos, mas logo voltei a deliciar-me ao calor. Ele arrancara-me não só a roupa, mas os pensamentos que me restavam de complacência.

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