segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Ele olhou pra mim e de repente senti um calafrio seguindo de minha lombar até a nuca, impedindo-me de respirar. Os dedos dele deslizavam pela cordas da guitarra e ele olhava nos meus olhos enquanto cantava o verso “Iluminate my blue winter” e tremi. Não tirei os olhos dos seus e a minha boca estava levemente entreaberta enquanto o observava. Desejei estar próxima o suficiente para tocar sua mão e tirar o microfone de próximo de seus lábios, deixando os meus ligados aos dele, vendo minhas mãos escorregarem pelo seu braço tatuado e gostaria de contar quantas haviam sido feitas também. Fechei os olhos sentindo a voz dele consumir-me, deixando-me absorta e engoli em seco. Uma boa taça de vinho cairia bem nesse momento; abri os olhos e ele ainda estava olhando pra mim, era uma espécie de hipnose. Joseph atrapalhara minha entusiasmada contemplação e ofereceu sua dose de uísque, peguei e tomei a mesma em um único gole, deixando-o meio surpreso com minha atitude. Pedi licença para o mesmo e caminhei no meio da multidão em direção a saída para atender meu celular, então ouvi a música parar, e parei junto com a mesma. Sua voz foi como um suspiro no microfone, cantando o verso “Don’t go away” de Oasis em capela. Franzi a testa e desliguei o celular desejando que quando eu virasse, não fosse para mim. Quando tornei na direção da multidão, lá estava ele olhando para mim, assim como toda a platéia e fiquei estagnada. O que ele estava tentando fazer?

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