domingo, 13 de janeiro de 2013

Fui a um parque, alguns meses atrás. Você me mostrou carrossel, roda gigante e aqueles brinquedos que ficavam de cabeça pra baixo, e admito, me assustei um pouco. Estávamos tão felizes, você sorria como um garoto de cinco anos enquanto dividia algodão doce comigo reclamando da cor e do cheiro. Era o começo de uma história, da nossa. Não éramos o tipo de casal comum. Você me ensinou a ser eu mesma, libertar o que estava preso dentro de mim. De repente, eu estava segurando sua mão enquanto fazia minha primeira tatuagem. Você sorria quando eu apertava os olhos por causa da dor, e passou a noite acariciando por cima daqueles curativos-mal-feitos que costumam proteger. Até que houve o grande dia, você me apresentou seu apartamento, aquele do último andar que havia escolhido desde Deus sabe quando. Fiquei olhando você a noite toda, assustada e tão curiosa, o que estava mesmo por trás de todos aqueles desenhos sobre tua pele, sobre aqueles olhos? Não sei por qual motivo, deixei que tocasse minha mão, dormimos juntos, sem grandes toques, mas a noite havia sido mágica. Ouvir sua respiração era o meu último lance, minha escolha. No outro dia, dividimos café, compramos pão, escolhemos as mais diversas besteiras no supermercado, corremos pelos corredores, vesti suas roupas, reclamei do gosto amargo daquela cerveja e te observei sorrir. Dormimos juntos, de novo, cansados, abraçados, envolvidos. E descobri, finalmente, que estava completamente apaixonada por você. Descobri que o parque falaria mais tarde que nosso amor seria uma montanha russa, grandes lapsos de horror e aventura, e pequenos sussurros de freios e buzinas. Seriamos grandes e pequenos, seriamos fracos e fortes, seria eu e você. Pra sempre. E não me importando com o passado, são apenas trilhos enferrujados, prontos para serem trocados, na nossa grande montanha.  

Um comentário:

Anônimo disse...

não importa o tamanho da montanha russa, eu estarei lá segurando a tua mão.