Lucidez e insanidade
Desapareci no castanho de seu olhar aquela noite em que nos debruçamos sobre a sacada e ouvimos as ondas se chocando na areia, provocando espuma. Você lembra? Deitei sobre seus braços, aninhando-me em seu peitoral e seguindo o caminho de teu abdômen com a ponta dos dedos. Consolei-me em seu coração, ouvindo-o pronunciar, mesmo que de longe, em cada batida, um significado diferente para mim. Era a minha recreação preferida naquele momento, satisfazia-me, até que os lençóis em nossa casa de praia alugada para esta temporada não permitia abrigar mais teu corpo junto ao meu. Fomos aos poucos nos despedindo com o passar dos anos, perdendo-nos, igual as estrelas do mar na praia. Esquecemos de como o mar revolto lembrava nossas madrugadas em ópera e tormenta, verdadeira tempestade. Éramos assim, e éramos nós. Debrucei-me novamente, sozinha, no verão e fim de tarde, contemplando o crepúsculo... E você, bom, você não estava mais ali. Havia ido embora, feito malas, voltado pra cidade sem deixar pegadas, cartas... E me perdi, de novo, em minha completa insanidade... Pois minha lucidez era você.
Nenhum comentário:
Postar um comentário