Escrevo acompanhada de dor. E depois há êxtase. Por um momento posso
sentir o sangue quente correndo nas minhas veias, mas depois se
petrifica e com o passar dos minutos viro gelo novamente. Esta é a minha
redenção, sina e angústia. Entre a luz e as trevas. E não há cura.
Escrever sobre me faz pensar, talvez como uma forma de compartilhar o
que dentro de mim está. Fecho-me para o mundo, e alguns não entendem.
Preciso de tempo. Sentir o cheiro da noite, o calor dos lençóis, ouvir
um bom rock, apreciar o frio da varanda, tomar um bom vinho, desfalecer.
Sozinha. Sinto-me independente de sentimentos, e não preciso de causas.
Não se trata de uma doença propriamente dita. Fui feita para
consertá-los. Não para amar. Eu os conserto, e eles vão. Nunca voltam.
Exceto ele. Talvez eu não tenha o consertado e ele se moldara aos meus
defeitos, por isso ainda habita cada partícula de minha insanidade,
antes frequente, e compaixão. Ele dera um nome para minhas loucuras
diárias e escrevera meu sobrenome em sua pele próxima ao coração.
Conduziu-me as direções contrárias e o odiei várias vezes por ter me
tornado quem sou, tão egocêntrica e frágil. Agora sou completamente
dependente da madrugada em claro e das bobagens ditas por amor, sou sã e
insana. Oscilo entre o inferno e o céu. Olho para ele e sinto como se
pudesse amá-lo e matá-lo ao fim do dia. Sinto-me acometida novamente
pelo complexo de Édipo, essa relação de ódio e amor tão próxima me
fazendo ser essa mulher louca, trânsitando entre lucidez e enfermidade. O
amor é um cão dos diabos, como Bukowski dizia. E ele estava certo.
Foda-se o amor. Ou foda-me por amor.
sábado, 16 de março de 2013
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Um comentário:
Perfeito.
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